
São Paulo: 13/07 à 18/08
Belo Horizonte: a definir
Brasília: a definir
Ocorreu em São Paulo:
Entre 13 de julho e 18 de agosto de 2006 na
Galeria do Senac Lapa Scipião em São Paulo.
A exposição "A Épica Revolucionária Cubana" foi organizada pela fotógrafa e pesquisadora cubana Marucha (Maria Eugenia Haya, 1944-1991), fundadora da Fototeca de Cuba em 1986.
Marucha foi a primeira pessoa a organizar o material fotográfico produzido durante os primeiros anos da Revolução Cubana (1959-1969) em um ensaio intitulado "Apuntes para una historia de la fotografía en Cuba" publicado por ocasião da exposição "Historia de la fotografia cubana", exibida no Museu Carrillo Gil no México em 1976.
A partir deste ensaio Cuba herdou aproximadamente 60 épicos que refletem as características da fotografia do período da revolução.
Apesar da Revolução Cubana marcar fortemente o estilo fotográfico da década de 60, não é correto afirmar que a fotografia cubana da época se resume a Épica. No mesmo período, também foram feitos outros tipos de fotografia, pelos mesmos autores que protagonizaram a Épica.
Para entender o que foi a fotografia cubana da década de 60, não se pode pensar em unidade de estilo. Os maiores expoentes desta época, aqueles que deram forma e coerência a obra, não se classificam dentro de uma mesma corrente artística, eles brindaram a fotografia épica com traços de suas experiências passadas.
Raúl Corral - Corrales (1925-2006) - Formado em Fotojornalismo antes da Revolução, trabalhou para Cuba Sono Film (agência de propaganda do Partido Socialista Popular) desde meados dos anos 40, como fotógrafo na Prensa Obrera de Cuba e posteriormente para os jornais Hoy e para as revistas Ultima Hora, Bohemia, Carteles e Vanidades. Mas foi na Cuba Sono Film, onde se dedicava a reportagens sobre as condições econômicas e Sociais cubanas, que forjou o senso ético aportado posteriormente ao registro fotográfico da Revolução.
Osvaldo Salas (1914-1992) - se formou como fotógrafo em Nova York. Suas imagens eram publicadas com regularidade em diversas revistas americanas, incluindo a Life e apresentam um estilo novaiorquino semelhante ao dos fotógrafos do pós-guerra, com talento destacado para o retrato. Após haver conhecido Fidel Castro em Nova York, Salas dá sequência a sua carreira com o objetivo filosófico e moral de retornar a Havana, e o faz dois dias antes do triunfo da Revolução.
Alberto Días (Korda) - foi um dos mais famosos fotógrafos publicitários e de moda de Havana, um retratista excepcional, ainda que com marcante influência de Irving Penn e Richard Avedon. Sócio dos estúdios Korda, detentor de todas as habilidades e conhecimentos de um fotógrafo publicitário, conseguiu transferir o glamour característico de um retrato produzido em estúdio, para imagens como El Guerrillero Heroico, realizada acidentalmente com uma câmera de 35 mm, durante o ato de comemoração às vítimas da explosão do casco do La Coubre.
Além de Corrales, Korda e Salas, há outros fotógrafos que documentaram a Revolução de forma magnífica. Neste grupo estão Roberto Salas, filho de Oswaldo Salas, personagem igualmente interado dos movimentos políticos da época; Libório Noval, que trabalhou como fotógrafo publicitário até o início da revolução, quando passou a trabalhar para o jornal Revolución e para o jornal Granma; Perfecto Romero e Ernesto Fernández, que trabalhava como ilustrador da revista Carteles e já havia realizado um ensaio fotográfico muito interessante antes de 59: La Habana en Inglés, em que documenta anúncios de negócios cubanos, dos quais 90% estavam em inglês. Depois de 59 passa a trabalhar para o jornal Revolución. Nos anos 50 adianta-se em certo sentido ao início do período épico, com sua fotografia da cabeça de Martí realizada em 1957 - nesse momento os protagonistas da revolução estavam na Sierra Maestra combatendo na guerrilha e, lamentavelmente, não contavam com um fotógrafo que registrasse os acontecimentos, o que teria antecipado o surgimento do movimento fotográfico da época.
Esse período da fotografia cubana - 1959 e 1969 - não pode ser enquadrado nos rígidos limites de uma década, sem esquecer alguma outra fotografia importante e sem ignorar outro tipo de fotografia também importante que estava sendo realizada nos mesmos anos. Um período que não possui unidade quanto à construção visual, estilística e formal - afinal o uso da câmera de 35 mm e a luz ambiente não podem ser considerados delimitadores de estilo - mas que ainda assim é perfeitamente distinto e diferente. Por quê?
Korda repetiu em várias ocasiões que para falar da fotografia da revolução, era necessário falar de Corrales, pois para Korda, ele é o pai da fotografia revolucionária.
Esta paternidade é caracterizada por um profundo senso ético. A fotografia de Corrales supera a iconografia, ela descreve a mudança revolucionária a partir da transformação ética que a mesma incitou. Ele não começou seu trabalho a partir do sucesso da revolução, seu compromisso ético, característica forte de sua fotografia épica, o acompanhou desde o início de sua carreira. Corrales foi, desde o princípio, um fotógrafo do povo e para o povo - A celebração do miliciano não é apenas a celebração de um homem comum, é a celebração de um homem comum imerso em um sucesso épico, um miliciano, um voluntário que defende a revolução.
A mudança de tema que faz de Korda um fotógrafo da revolução, já havia acontecido desde muito antes na obra de Corrales, como podemos apreciar em Wash an were por volta de 1950. La Caballería, que relembra as lutas pela independência no século XIX, é realmente isso, uma cavalaria libertadora que nacionaliza o Central Preston Oriente.
A relação de fotógrafos do período épico que não estão presentes nesta seleção é extensa. Desde os seus primeiros anos, a Revolução atraiu a atenção de praticamente todos os fotógrafos cubanos. A partir de 1º de janeiro de 1959, e durante muito tempo, se deu na fotografia cubana um caso insólito de coincidência temática. A análise das características que unificam o corpo da fotografia épica cubana permite aos seus estudiosos afirmar que ela não se limita ao trabalho de uma década. Seu caráter ético e iconográfico também está presente antes e depois deste período, mesmo que o auge de seu amadurecimento coincida com o período que vai de 1959 a 1969.
Nelson Ramírez de Arellano, curador geral
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